AMOR SUPREMO


Pousou no meu ombro como um pássaro,
Com o bico acarinhou minha cabeça,
A minha alma abriu portas e janelas,
Entregou-se para sua morada.
Oh, tão grande entrega!
Foram à queda os deuses dos pedestais,
Minha alma recebeu vida,
A morte já não vence mais.

VAMPIRO




Nas noites frias e escuras,
Por trás das muralhas da rua,
Sedento do néctar vermelho,
Uma vítima está à espreitar.

Brevíssimo sedutor para o mau,
A vida para ele não vale nada,
Faz cadáveres sem par,
Teu prazer está nos sangue das vítimas.

Seu tempo é curto na noite,
Teus olhos não suportam a luz,
Breves momentos antes da aurora,
Espírito hematófago se isola.

Terror das noites mais frias,
Mais gélidas com a tua presença,
No silêncio, medo e arrepios,
Humanos temem a sentença.

BRUXULEIO

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Sou hoje uma luz bruxuleante,
No final de caminhada,
Tentando não apagar.
Sem consumir energia,
Fazendo economia,
Para a vida prolongar.
Os dias passam apressados,
Sozinha seguindo firme,
 Sem pressa!
Bruxuleando sem desesperar.

 
NATIVA

QUEM QUER ASSUMIR?




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Sem teto e sem pão,
Sem brinquedo,
Sem roupa,
Sem sapato e sem chão.
Ao léo...
Exposto ao vento,
Chuva e lamento,
Desprezo e sofrimento.
No frio cobertor de papelão,
No escuro aos cuidados das estrelas,
A lua testemunha se enche de compaixão,
O universo lamenta tamanha solidão.
De quem serão esses filhos?
Ninguém quer assumir.
Também não me pergunto:
Será que nada tenho a contribuir?
Quem leva mais do que precisa?
Quem pode com esses dividir?
De fininho vou saindo,
Esse problema não é para mim.
Poderia ser meu filho e irmão,
E daí?

O OUTONO...




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Então, o outono chegou...
Aninha a caminho da escola,
Percebe as folhas secas no chão,
Não fica triste por que ela sabe,
O momento é de renovação.
O vento soprou frio,
O sol mais tímido ficou,
Alguns bichos hibernam,
Uma estação de introspecção,
O outono tem nova sensação.

TERCEIRIZANDO AS PRÓPRIAS LOUCURAS


Como defininir as multiplas
 dimensões do psiquismo? Este passa por transformação da mesma forma que o mapa-mundi. Pontos cardeais psíquicos apontam para uma ou outra direção. Coexistem zonas pacíficas com outras turbulentas, superfícies amenas e montanhas íngremes, climas tórridos e zonas glaciais...

O mundo cavalga a galopes,
Sofre todos os golpes,
Homens cultos e sem nexo,
Suas vidas são um paradoxo.


Doenças do século os perturbam,
Stress, ansiedade e depressão,
Terceirizam todos os seus problemas,
Buscam em outros a solução.


SUS, plano particular, drogas ou bebidas,
Pensam estar lá a sua saída,
Compram remédios e mandam manipular,
É comprimido para dormir,
Outro para acordar.


Falta o para dor de pernas,
Outro para poder andar,
Vai terceirizando os problemas,
Auto enganando-se como dá.


Psicólogo é só pra maluco,
Assim dizem alguns: nem pensar!
Meu caso é para o Dr. Jacinto,
Ele conhece o meu problema.


Dr. Jacinto não perde tempo!
É só me vê Já sabe o que sinto,
Ele é de pouca conversa,
Receita logo o que preciso.


Vão adiando o problema...
Fica tudo na mão do Dr. Jacinto,
Deus me livre bater de frente com a causa!
Psicólogo devolve tudo, eu não admito.


Assim segue a humanidade,
Mentalmente doente e não admite,
Ir direto a causa do problema não permite,
Fica por conta do Dr. que também transfere,
Para diazepan, lisador, neozine...


Assim seguem as pessoas doentes e insatisfeitas sem descobrir a origem das suas insatisfações, mergulhadas nas ondas de consumismos as quais não dão mais conta. Se negam a enxergar e mudar de consciência, no momento de transferir os problemas, criam para si e geram outras turbulências.
Enquanto isso, fico observando as suas resistências em voltar para si mesma, onde, mora as causas de todas as dificuldades.


NATIVA

@@ INDÚSTRIA DA PSICOPATOLOGIA (POEMA SOCIAL)

drogas1_1.jpg
Basta sonhar e produzirá loucuras,
Recuso-me a ingerir drogas...
Não importa a forma permitida,
No sonho todas as loucuras são lícitas.

A paixão é uma loucura,
Idéia legada pelos antigos,
Não importa se o cristianismo,
Fez articulação,
Valendo-se da situação.

Articulou paixão com pecado,
E ligou a loucura ao demoníaco,
A modernidade revelou que loucura é desrazão,
Com interesses e visão de capital,
Transforma a “loucura” em doença mental.

Se hoje as drogas ilícitas são problemas,
Que diremos das indústrias farmacêuticas?
Destrói todos os sonhos e gera dependência,
Adoece mentes e fortalece o sistema.

O crime é o mesmo ao se tratar de drogas,
Intencional, manipulador e interesseiro.

Fabricam loucuras não sonhadas,
Constrói mentes doentes e instituições...
Essa é a cara da nossa sociedade psicopata,
Perversa e humanamente desgraçada.



LÚCIA REGINA (NATIVA)

POEMAS (NATIVA) E PRINCIPAIS OBRAS DE MONET

SEM ARTE, SEM VIDA

Oh, grande poeta das palavras!
Conheces bem a dramaticidade,
Põe de joelhos a sua platéia,
Invade almas com sua arte.
Quer-se se faz misterioso,
Incorpora o personagem melhor da história,
Sua arte torna-se perfeita,
A platéia aplaude e deleita.
Enquanto tudo é êxtase,
A alma exibe perfeição,
Oh, palco pleno e cheio de glória!
Mudar o destino seria em vão.
Para uma medíocre sociedade,
A poesia é para os bobos então,
Transcender por meio da arte,
Seria loucura e desrazão.
Mas quantos “loucos” artistas,
Fizeram história vivendo na “contra mão”?

Nativa 
MOMENTOS E MOVIMENTOS

Emocionalmente na corda bamba,
Completamente alada sujeita ao vento,
Talvez uma borboleta singela,
Ou uma vampira a espreitar o tempo...
Ambas aladas e sedutoras,
Buscam a liberdade dos amores,
Cada uma na sua intensidade,
Satisfazer suas ansiedades.
Nem sempre só borboleta,
Tão pouco só vampira,
Depende dos movimentos equilibrista,
Na corda bamba da vida.

Nativa





TUDO PASSA...
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Tempo, tempo, tempo...
Até onde vai tanta vaidade?
A vida passa como o vento,
Que lembrança terá da futilidade?
Tudo é teatro nesta vida,
Sonhos, fantasias e criações,
Tempos reais no porvir...
Para todos sem restrições.
A verdade será desnuda,
Nua e crua como convém,
Sem disfarces e acessórios,
Mas a aparência real que se tem.

Nativa

AS CORES NO JARDIM

Bailam borboletas no universo das flores,
Com a melodia dos pássaros cantores,
Forma uma coreografia de cores,
Talvez anuncie a primavera e os amores...
Na valsa de cores que surge no jardim,
Borboletas tatuadas arrasam na dança,
Um show de artistas lindos e exuberantes,
As flores contorcem e exibem elegância.
O vento esperto chega confiante por ali,
Com seu toque sedutor desperta em fim,
O perfume das flores destacando-se o jasmim.

Nativa
CORAGEM DE NAVEGAR

Há uma amplidão em minha frente.
Então, sigo com meu barco,
Não temo a nada,
Desconheço limites...
Nada é insuperável!
Tomada de coragem sigo...
O fim da caminhada não me preocupa,
Não desejo que o fim chega,
Nessa amplidão do horizonte,
Minha busca é incansável.
NATIVA



SÃO PÁGINAS

Talvez pouco reste de mim,
 Mas ainda há vida jovem sim.
 O coração pulsa firme e confiante,
 O futuro reserva encantos sem fim.
Tristezas ficaram para trás,
Pedaços da alma de uma mulher,
Um corpo marcado pelo tempo,
Um livro de histórias a ler...
A vida segue o seu curso,
       Sem que as páginas terminam,
    São tantas para escrever...
 Sonhos que não findam.

NATIVA


BORBOLETANDO (infantil)




Todas coloridas,
Asas tatuadas,
Voam levezinhas,
Sobre cada florzinha.

Menina observa,
Já imitando...
Levanta os bracinhos,
E corre devagarzinho.

A dança está na terra,
Também está no ar,
As borboletas ensinam,
A menina borboletar.

PINGO - O CANARININHO DO REINO


Numa casa bem feinha,
Morava uma bruxa má.
Não gostava de ninguém,
Era muito malvada.

Não cuidava da sua casa,
Tudo ficava jogado de lado,
Não gostava de limpeza,
Só dava atenção ao gato.

Uma linda menininha,
Chamava-se Marcinha,
Foi até a casa da bruxa,
Entrou bem escondidinha.

Encontrou lá um pássaro,
Coitado! Estava no chão...
Sofrendo abandonado,
Ela o pegou e levou com cuidado.

Pobre pássaro! Muito sofrido...
Era um canário do reino,
Cor bem amarela como o ouro,
Não tinha uma perna

 E faltava-lhe um olho.
A casa da bruxa tinha muitos ratos,
Marcinha disse que foram eles os culpados.
Eles comeram um olho e uma perna,
Mas como saber? Ele não fala!

Pobre passarinho! Disse a Marcinha.
Colocou numa gaiola na sua casa,
Dava muito carinho, água e comidinha,
O canarinho ficou melhor não morreu,
Mesmo aleijadinho, ele venceu.
Marcinha ficou muito contente,
Nunca mais deixou sem receber sozinho,
Até um nome o passarinho recebeu,
O nome dele é Pingo!
Foi o nome que Marcinha escolheu.

Pingo é o tenor da família.
Encanta as crianças todos os dias,
Linda é a sua melodia...

Impossível viver sem o canto,
Do canário amarelo que brilha,
Pingo irradia como o sol,
Sua aura brilha... 
Como a luz do meio dia.

NATIVA 

**** SOCIEDADE EM EXAUSTÃO ****



Trôpega, arfando...
Sem forças para caminhar,
O Corpo pede para repousar.
Mente lenta aproxima-se de um blecaute,
Deseja fuga e se ausentar,
Melhor se fosse volátil.
Oh, Corpo cansado!
Quanto peso há na alienação!
Sofre...
Nega a dialética materialista histórica,
Cada vez mais aprisionado,
Corpo docilizado.
Vítima! Ainda ousa fazer pergunta retórica?
Maldita alienação que chicoteia,
Maldito gozo por apanhar.
Amarras caprichosas do sistema dominador,
Laços que não se quer desmanchar,
Quanto mais exaustão,
Mais alienação e menos desejo de mudar.
Oh, quanto é difícil a renúncia!
Quanto à ignorância é cortejada!
Distante fica a liberdade e a plenitude...
Oh Morte! Tu que é a mais desprezada,
Estou perto de me lançar em teus braços,
Falência social multipla!


NATIVA

Oswaldo Montenegro - Quando A Gente Ama (Legendado)

Almir Sater - Ando Devagar

Victor e Léo - Boa Sorte Pra Você

UM ANJINHO NO CAMPO (INFANTIL)






Numa bela campina distante,
No alto da pedra uma humilde capelinha,
Uma linda pastagem de ovelhas e gados,
No meio do pasto um riacho transparente se via.

Viam-se as pedras e areias no fundo da água,
Ali se sentava um menino lindo de cabelos cacheados,
Com um vasilhame pegava água e dava ao carneirinho,
Passava horas naquele riacho, era o seu trabalhinho.

Pegava libélula e soltava,
Imitava o canto dos passarinhos,
Os animais ficavam por perto,
Sorria para todos e falava mansinho.

Pareciam que tudo entendiam,
O que fazia aquele menino,
Ele era um pastorzinho que cuidava do rebanho,
Sentia-se responsável por todos os bichinhos.

Cedo levantava e saía pela estrada,
Cantava e saltava com muita alegria,
De longe os animais já viam e iam ao encontro,
Cumprimentava todos com carinho e sorria.

Conhecia todos os ninhos de passarinhos,
Preocupava-se em dar de beber aos carneirinhos,
Tinha olhar atento para todos os animais,
Só havia amor e ternura naquele coração de menino.

@@@@@ O JAZZ PELA ÓTICA QUÂNTICA @@@@@


                             Uma expressão humana,
                             Tipicamente quântica.
                             Cada músico improvisa,
                             Dentro das leis da harmonia.
                             Não se pode prever na verdade,
                             Exatamente a intensidade,
                             O ritmo de cada improviso,
                             No entanto, é sempre harmônico.
                             Não há leis ou cálculos,
                             Que prevê o ser humano,
                             O que irá fazer,
                             Ainda que escravo possa ser.
                             A consciência...
                             Ninguém pode penetrar.
                             Já questionava S. Tomás de Aquino,
                             Que de física quântica nada entendia.



NATIVA


A POESIA NÂO TEM HORA




 
Quente sangra a vela,
Enquanto versos são escritos,
Sentimentos e gritos internos,
À luz da chama, inspirações e suspiros.
O sono foge na madrugada,
Espantado vai com o agito,
Pensamentos não param,
No peito um coração aflito.
A poesia entusiasmada...
Não escolhe hora para despertar,
Serelepe aproxima altas horas,
E leva a alma divagar.

El Condor Pasa



A  NATUREZA
A natureza fala,
Eu me calo!
Seu idioma é perfeito.
Já eu, não sei falar direito!
Por isso  me calo.
Aprendo  com ela!
Ouço os pássaros,
Com toda humildade,
Reconheço que são mestres.

Autora- Lúcia Regina (Nativa)

CANCIONEIRO DO SERTÃO

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Sob um teto estrelado,
O caboclo apaixonado,
Põe-se a cantar.
Inspirado na lua e
A mata iluminada,
Trovas e canções,
Faz o coração de uma cabocla despertar.
Sua alma “agiganta”,
Seus poemas bravios,
Faz a viola chorar.
O sertão florido,
E o perfume das flores,
Embriaga a alma do poeta.

Nativa

SOMATIZAÇÃO

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Vivencio e comunico as minhas angústias,
Por não ser insensível aos tristes eventos da vida.
O pensamento científico busca o rigor, a lógica,
O pensar poético visa além, efeitos de ressonância.
Para a ciência, a racionalidade, controle dos parâmetros,
O manejo e a adequação das variáveis.
Diria eu o contrário do que sinto para agradar a razão?
Não! Sou livre poetisa não preocupada com a lógica,
Mas em expressar as queixas mais loucas da alma.
NATIVA

ÉBRIA DE AMOR



Inebriante perfume...
O beijo,
Quente como pimenta,
Inexplicável agonia...
Meu doce vinho!
Tornei-me ébria todos os dias,
Deliro...
Agonizo...
Enlouqueço!
Seu cheiro,
Teu beijo,
Teu corpo...
Sem você não sobrevivo.

Nativa

O SILÊNCIO FALA E TRANSFORMA



A mente cansada mergulha,
No mais profundo silêncio...
Olha, que maravilha!
Ouço bater o coração do universo,
O pulsar das criaturas...
O ruflar das asas dos anjos.
Não perdi totalmente a inocência...
Alegro-me imensamente,
Por aprender com contos e estórias,
Lições simples e ingênuas,
Agora arquivadas na memória.
Eis que a chama da esperança renasce,
A mente mais leve,
A fé intensifica.
Renovada levanto-me,
A peregrinação nesse mundo segue,
Torna-se suportável,
Sai o espinho e a flor aparece.

Nativa

QUARTO DE MILHA



Estradão...
Crinas ao vento,
Nuvem de poeira...
Pingos de chuva,
Caem na estrada,
Cheiro de terra.
Nativa



MULHER E ALMA DE MENINA (autora: Lúcia Regina Corrêa - Nativa)


A alma de menina,
É livre dançarina alada.
Uma borboleta linda,
A bailar com as fadas.
Voa por todo lugar...
Aquece com os raios de sol,
Veste-se de cores vivas,
Traje natural e especial.
Pousa como boa menina,
Imita os beija-flores,
Das flores se aproxima,
Com beijo e exibição de cores.
Antes que se vá...
Dança, dança, dança...
Retorna ao coração de mulher,
Que em sonhos viaja...
Apenas lembranças.
Nativa